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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

4 de outubro

Dia 4 de outubro, passando pela Cinelândia parei para assinar um documento que um grupo de ativistas da causa pró-animal encaminhariam posteriormente para políticos cobrando atitudes de proteção aos nossos irmãos animais.
Um policial sorria um risinho debochado, algumas pessoas passavam indiferentes, outras como eu paravam e assinavam, se solidarizando com a causa, outras se juntavam a manifestação.
Não me considero uma protetora, pois ao ver pessoas abnegadas e tão dedicadas, meu cuidado e dedicação se tornam pequenos, quase insignificantes, porém olhando de outro ângulo é melhor fazer pouco do que nada fazer, pois esse pouco pode significar vida ou morte para alguém naquele momento.
Neste mês que se comemora a Ecologia e a Proteção Animal, também há seu lado sombrio, com loucos fanáticos e ignorantes que associam à bruxaria o sacrifício de animais em rituais.
Engano e ignorância mesmo... Eu me identifiquei com a bruxaria principalmente pelo elo e valorização com a vida animal e vegetal.
Não consigo imaginar meu trabalho com animais e comendo meus pacientes, ou numa jornada ser auxiliada por um guardião, se me alimento de um ser que está comigo nesse e noutros mundos.
Já socorri animais mutilados por humanos que desconhecem essa parceria e ignoram como esses seres são amigos e irmãos de caminhada.
Não entendo como se busca benefícios pessoais de um modo egoísta destruindo os parceiros que poderiam mostrar os caminhos para chegar a esses objetivos com mais luz e merecimento.
Muitos deles já são criados para alimentação entre outras destinações de seus corpos, peles, penas, então que sejam tratados com o respeito e consideração que são merecedores.
Principalmente os gatos, tão estigmatizados pela "religiosidade" dominante e tão generosos com a humanidade.
O universo é justo, a Europa pagou o preço da sua ignorância com a peste negra, após o massacre dos felinos e suas associações nefastas.
A lição ainda não foi aprendida, sequer assimilada.
Que novos tempos e novos ares iluminem as mentes na evolução desses humanos que ainda não compreenderam esses seres de luz que compartilham nosso mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Os animais da floresta

Os animais da floresta
Os bichos da mata são nossos amigos e também a nossa sobrevivência, o que nos dá força para o trabalho. Tem bicho de todas as cores: amarelo, vermelho, azul, verde, etc. Tem bichos que avisam como o cujubim, que canta às 5 horas da manhã, batendo sua asa, chamando o sol para nascer.
Os bichos da mata, nós contamos assim: os bichos de pena, ou os que voam, os da terra ou os debaixo da mata, os bichos de debaixo da terra, os bichos d’água.
Entre os bichos da terra ou debaixo da mata estão a anta, veado, porquinho, cutia, cutiara, tatu, paca, paca de rabo, cobras, jabuti, sapo e os bichos de cima da mata estão o macaco prego, macaco preto, macaco soque, macaco suim, macaco de cheiro, mambira, capelão, quati, cairara, quatipuru, quatipuru roxo, irara e muitos outros. Esses bichos costumam plantar muitas frutas da floresta com a ajuda daqueles que vivem embaixo.
Quando a fruta está madura, os macacos começam a comer a carne da fruta e soltam os caroços de lá de cima. Quando os caroços caem, os animais que vivem embaixo como o nambu galinha, nambu azul, nambu preto, engolem os caroços das frutas, enchem o papo e saem caminhando para bem longe. Depois de 10 minutos de caminhada, começam a cagar os caroços das frutas. Isso acontece porque não tem resistência na moela para moer o caroço, que sai inteiro.
Os bichos que voam são: japinim, pavão, pato bravo, pica pau, gavião, aracura, mergulhão, mutum, cujubim, periquito, periquito cabeção, nambu, urubu, juriti, cigana, coró-coró, bacural, coruja, mãe da lua, caboré...
Já os bichos d’água são: bodó tronqueira, bodó preto, mandim, curimatã, piau, piaba, sardinha, cará, arraia, jacaré, puraqué, jundiá, surubim, peixe linha, braço de moça, traíra...
Hoje em dia, a gente vê o homem derrubando a mata para a criação de gado. A mata vai ficando sem bichos. Já tem muitos animais em extinção como: onça, gato do mato, paca de rabo, jabuti, mutum, queixada, preguiça, quandú. Já são muitos. A gente não imagina a vida sem a mata, a mata sem os bichos. Deve ser triste demais. Sem a mata não haverá nem os animais, nem o vento, nem o homem, nem nada.
Para nós a floresta é vida.
José Mateus Itsairu Kaxinawá
(adaptado de Geografia Indígena. CPI/AC,1992)